CNAE para e-commerce: qual o código ideal para a sua loja virtual

cnae para ecommerce

O CNAE é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, um código de sete dígitos criado pelo IBGE para identificar o que cada empresa faz perante a Receita Federal. Ele não é uma autorização para vender online, e sim a forma de enquadrar a sua atividade. 

E-commerce não têm um CNAE específico: a loja virtual usa o mesmo código do comércio varejista, definido pelo tipo de produto que você vende, e não pelo fato de vender pela internet. Quando a loja comercializa itens variados, o código mais usado é o 4789-0/99, de comércio varejista de produtos variados e lojas multimarcas, mas isso depende de outros fatores, como tamanho da empresa e modelo de negócio.

Escolher o código certo é muito importante porque define como o negócio será tributado, se pode entrar no Simples Nacional ou no MEI, e se consegue emitir nota fiscal para vender em marketplaces. A seguir você encontra a tabela de códigos por tipo de produto e o passo a passo para registrar sem erro. 

O que é CNAE e por que ele importa para o e-commerce?

O CNAE classifica a atividade econômica da empresa. O IBGE define os códigos, e a Receita Federal, as prefeituras e as Juntas Comerciais usam essa classificação para saber qual é o seu tipo de negócio.

A escolha pesa direto no bolso. O código define o regime de tributação aplicável, as obrigações fiscais e a possibilidade de emitir nota fiscal. Um enquadramento incompatível com o que a loja realmente vende pode gerar impostos a mais ou autuação da Receita.

Qual é a composição do CNAE?

O código CNAE tem sete dígitos no formato XXXX-X/XX, e cada parte indica um nível da atividade: divisão, grupo, classe e subclasse (a seção é uma letra que não aparece no número). 

Veja no exemplo do código de roupas, o 4781-4/00:

  • Seção G: comércio e reparação de veículos.
  • Divisão 47: comércio varejista.
  • Grupo 47.8: produtos novos não especificados anteriormente.
  • Classe 47.81-4: comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios.
  • Subclasse 4781-4/00: o código completo, usado no CNPJ.

Para e-commerces, normalmente os códigos começam por 47, a divisão do comércio varejista.

Qual é o CNAE correto para e-commerce?

Para o ecommerce, use o CNAE do comércio varejista correspondente ao produto vendido. Não há um código exclusivo de loja virtual: quem vende roupas usa 4781-4/00, quem vende cosméticos usa 4772-5/00, e quem vende itens variados costuma usar o 47.89-0/99.

Embora o código 47.89-0/99 seja o mais indicado para a maioria das lojas virtuais, é importante entender que o “melhor” CNAE para ecommerce depende do modelo de negócio e do porte da empresa. A escolha impacta diretamente no enquadramento tributário e nas obrigações legais.

Empresas menores, por exemplo, podem optar pelo Simples Nacional, que unifica impostos e simplifica a gestão fiscal. Já quem atua como MEI encontra opções limitadas de CNAEs disponíveis, o que exige atenção redobrada para não escolher uma atividade incompatível.

Outro ponto relevante é que negócios focados em nichos específicos podem precisar de códigos complementares. Se a loja vende apenas eletrônicos, moda ou alimentos, pode ser vantajoso avaliar CNAEs secundários para enquadrar corretamente as atividades.

Portanto, não existe um único CNAE ideal para todos. O melhor caminho é analisar seu faturamento, entender quais produtos serão vendidos e buscar orientação contábil para escolher a classificação mais vantajosa para o seu ecommerce.

Por que não existe um CNAE exclusivo para o comércio eletrônico?

A classificação do varejo se baseia na gama de produtos vendidos, sem distinção da forma de venda em loja ou fora de loja, seja por internet, catálogo ou porta a porta. Isso está escrito nas notas explicativas da divisão 47 da CNAE, no site do IBGE. Por isso, vender pela internet não muda o código: o que define a subclasse é o produto.

Atenção: circula em alguns sites a indicação de códigos como 4791-3/01 e 4791-3/02 para venda pela internet. Eles não existem na CNAE 2.0 vigente, cuja divisão 47 vai apenas até o grupo 47.8. Confie sempre na busca oficial da Concla/IBGE.

Os códigos mais usados por lojas virtuais

Quando a loja vende vários tipos de produto, o 4789-0/99 é o mais comum, porque cobre o comércio varejista de produtos variados em um único CNPJ. Quando a loja é especializada, porém, o caminho é usar o código da categoria do produto. 

Tabela de CNAE por tipo de produto

Encontre o código pela categoria que representa mais da metade do seu faturamento. As descrições são as oficiais do IBGE.

Tipo de produtoCNAEDescrição oficial (IBGE)
Itens variados4789-0/99Comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente
Roupas e acessórios4781-4/00Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios
Calçados4782-2/01Comércio varejista de calçados
Malas, mochilas e artigos de viagem4782-2/02Comércio varejista de artigos de viagem
Cosméticos e perfumaria4772-5/00Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal
Móveis4754-7/01Comércio varejista de móveis
Eletrodomésticos, áudio e vídeo4753-9/00Comércio varejista especializado de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo
Informática4751-2/01Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática
Artigos esportivos4763-6/02Comércio varejista de artigos esportivos
Livros4761-0/01Comércio varejista de livros
Joias e relógios4783-1/01Comércio varejista de artigos de joalheria
Bijuterias e artesanato4789-0/01Comércio varejista de suvenires, bijuterias e artesanatos
Produtos para pets4789-0/04Comércio varejista de animais vivos e de artigos e alimentos para animais de estimação

Qual é o melhor CNAE para e-commerce e como escolher?

O melhor CNAE para e-commerce é o que descreve com precisão o que a sua loja vende. Um código genérico demais pode elevar a tributação ou dificultar a emissão de notas específicas, enquanto o código exato da categoria tende a deixar a carga fiscal mais ajustada ao negócio.

Para decidir, leve em conta três informações práticas: 

  • o produto principal da loja, 
  • o faturamento esperado no ano 
  • e o canal de venda (loja própria, marketplace ou os dois). 

Com esses dados, a escolha do código e do regime fica mais direta. 

CNAE principal e CNAE secundário

A empresa deve ter um CNAE principal, que representa a atividade que mais fatura, e pode ter vários CNAEs secundários para as demais atividades. Uma loja de roupas que também vende calçados, por exemplo, pode registrar 4781-4/00 como principal e 4782-2/01 como secundário. Incluir os secundários certos evita limitar operações futuras.

CNAE e regime tributário

O CNAE define quais regimes a empresa pode escolher. Um e-commerce pode se enquadrar em MEI, Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, e o código precisa ser compatível com o regime pretendido. O que vai indicar o melhor regime é o faturamento e o tipo de atividade, então a conta muda de loja para loja. Um contador é essencial para ajudar a definir essa combinação sem pagar imposto a mais ou ser prejudicado.

CNAE para MEI que quer vender online

O MEI pode ter e-commerce, desde que o produto esteja na lista de atividades permitidas e o faturamento fique dentro do teto. Códigos como 4781-4/00 (vestuário) e 4789-0/99 (produtos variados) costumam ser aceitos, mas nem todo CNAE de varejo está liberado para o MEI, o que exige conferir antes de abrir.

Em 2026, o teto de faturamento do MEI é de R$ 81 mil por ano, cerca de R$ 6.750 por mês de referência. Se a receita passar do limite em até 20%, ou seja, até R$ 97.200, um imposto complementar incide sobre o excedente; se passar em mais de 20%, o desenquadramento como MEI é obrigatório e retroativo, de modo que pode gerar multas e juros.

Há propostas no Congresso para elevar o teto a R$ 140 mil ou R$ 150 mil (PLP 60/2025 e PLP 67/2025), mas nenhuma foi aprovada até o momento, então o limite oficial continua em R$ 81 mil.

CNAE para dropshipping

No dropshipping, o CNAE também segue o produto revendido, não o modelo logístico. Como a loja costuma vender itens variados sem manter estoque, o 4789-0/99 é o código mais usado por quem opera nesse formato. Se a operação foca em uma categoria, vale usar o código específico dela.

Lembrando que vender sem estoque, como em dropshipping, não dispensa CNPJ nem nota fiscal. Legalize seu negócio e evite multas e proibições.

CNAE para vender em marketplaces (Shopee, Mercado Livre, Amazon)

Para vender em marketplaces, use o mesmo CNAE da sua loja virtual, já que o código depende do produto e não do canal. O 4789-0/99 atende quem comercializa itens variados em plataformas como Shopee, Mercado Livre e Amazon.

A diferença é a exigência de formalização: marketplaces pedem CNPJ regularizado e emissão de nota fiscal para liberar as vendas. Com o CNAE correto, o mesmo registro serve para a loja própria e para os marketplaces, sem precisar abrir um CNPJ por canal. 

CNAE para infoprodutos e serviços digitais

Nem todo negócio digital usa CNAE de comércio varejista. Quem vende infoprodutos ou serviços online se enquadra em códigos de serviço, não de venda de produto físico, o que muda a tributação. A distinção evita problemas fiscais mais à frente.

Cursos online, ebooks e treinamentos costumam ficar ligados a atividades de ensino ou de edição de conteúdo digital, com CNAE comum sendo 8599-6/04. Consultorias e serviços recorrentes se encaixam no CNAE 7020-4/00. Plataformas de assinatura e clubes digitais se classificam pela receita de serviços, e não pelo comércio de mercadorias.

Sempre consulte um profissional especialista no assunto para receber as melhores orientações sobre o CNAE do seu negócio, ou consulte a fonte oficial no IBGE.

Passo a passo para registrar o CNAE do seu ecommerce

Registrar o CNAE faz parte da abertura do CNPJ. O processo é direto e pode ser feito com apoio de um contador:

  1. Defina o regime tributário. Escolha entre MEI, ME ou EPP. Cada um tem limite de faturamento e CNAEs permitidos diferentes.
  2. Confira o código na Concla/IBGE. Use a busca online da Concla (concla.ibge.gov.br) e pesquise por palavras-chave do produto, sem preposições, para achar a subclasse correta.
  3. Escolha o CNAE principal. Ele representa a atividade que mais gera receita na loja.
  4. Adicione os CNAEs secundários. Inclua os códigos das demais categorias que você vende ou pretende vender.
  5. Registre na abertura do CNPJ. O CNAE é informado no momento da abertura, junto à Receita Federal e à Junta Comercial.

Riscos de escolher o CNAE errado

Um CNAE incompatível com a atividade real gera custo e risco fiscal. O enquadramento errado pode levar a empresa a recolher tributos de forma indevida, pagando mais imposto do que o necessário.

Há ainda o risco de autuação. Se a Receita identificar diferença entre a atividade exercida e o código registrado, a empresa pode ser multada. Um código inadequado também trava a emissão de notas fiscais eletrônicas, o que inviabiliza vendas em marketplaces e negociações com fornecedores.

O CNAE é o primeiro passo para profissionalizar seu negócio

Escolher o CNAE para ecommerce correto é um detalhe que faz toda a diferença no sucesso do seu negócio. Esse código garante que a loja esteja regularizada, com tributação adequada e pronta para crescer sem riscos de penalidades fiscais.

Ao definir o CNAE de forma estratégica, o lojista conquista segurança para emitir notas fiscais, vender em marketplaces e atrair clientes de forma profissional. Além disso, evita pagar impostos acima do necessário e mantém o negócio alinhado com a legislação.

Por isso, você deve encarar o CNAE como um passo inicial para quem deseja transformar ideias em vendas reais. E se o objetivo é estruturar sua loja virtual, a Loja Integrada oferece soluções simples, acessíveis e completas: dos planos gratuitos até opções avançadas para empreendedores em expansão.

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