Vender roupas usadas hoje é muito simples, e você pode seguir três caminhos principais: anunciar em marketplaces e brechós online especializados (como Enjoei, Repassa, OLX e Mercado Livre), usar a força das suas redes sociais (Instagram, Facebook e WhatsApp) ou criar uma loja virtual própria para se livrar das taxas e comissões.
A decisão depende muito do que você prioriza: vender com o menor esforço possível, fechar negócios rápidos na sua região ou construir uma marca sustentável no longo prazo.
E o cenário para quem deseja empreender nesse mercado é excelente. Segundo dados consolidados do Sebrae, o Brasil conta com mais de 118 mil brechós ativos, movimentando cerca de R$ 24 bilhões ao ano. A busca pela moda circular e a economia inteligente impulsionam esse setor diariamente.
Neste material, nós vamos direto ao ponto: onde anunciar suas peças, quais as taxas reais cobradas por cada canal em 2026, como definir preços justos e o passo a passo prático para tirar as roupas paradas do armário e transformá-las em lucro.
Por que vender roupas usadas vale a pena?
Muito além de conseguir uma renda extra com peças que você não usa mais, vender roupas usadas é participar de um ecossistema sustentável e consciente. Ao estender a vida útil de uma calça jeans ou de uma jaqueta de couro, você ajuda a reduzir o descarte de resíduos e poupa a enorme quantidade de água e matéria-prima exigida na confecção de novos tecidos.
Essa prática se consolidou e os números do varejo mostram isso claramente:
- O comércio de produtos de segunda mão no Brasil registrou um aumento expressivo de 48,5% nos últimos anos, conforme levantamento do Sebrae.
- O mercado global de roupas usadas cresce três vezes mais rápido do que o varejo tradicional. Relatórios da ThredUp estimam que o segmento movimentará cerca de US$ 367 bilhões até 2030.
- A geração Z lidera esse comportamento de consumo: uma pesquisa da OLX revelou que 83% desses jovens já compraram ou venderam algum item de segunda mão.
O melhor de tudo é o baixíssimo risco financeiro inicial. Se você já tem muitas roupas, não precisa gastar comprando mercadorias, basta fazer uma limpa no próprio guarda-roupa, escolher as melhores peças e começar a testar as plataformas sem custo algum.
Onde vender roupas usadas: 10 plataformas para anunciar
Separamos as 10 melhores alternativas para vender roupas online ou de forma presencial no país, categorizadas por tipo de operação. Logo após os tópicos, você confere uma tabela comparativa com todas as taxas de cada plataforma.
1. Enjoei
É o brechó online mais popular do Brasil. A grande vantagem é que o público da plataforma já entra no site ou aplicativo com uma intenção muito clara de comprar roupas de segunda mão. O Enjoei oferece três modalidades de vendas: o Modo Clássico (comissão de 12% + taxa fixa por venda), o Modo Turbinado (comissão de 18% para maior visibilidade nos buscadores) e o serviço terceirizado Enjoei Pro (onde a equipe deles cuida de todo o cadastro e envios, cobrando 50% de comissão).
As informações de taxas podem mudar por decisões de cada empresa, então sempre confira as fontes oficiais para se certificar sobre as cobranças.
2. Repassa
Perfeito para quem tem pressa e não quer gastar tempo lidando com clientes. O Repassa funciona com um sistema de sacolas: você adquire a “Sacola do Bem” por R$ 25,90 e a enche com as roupas que quer desapegar. A equipe do Repassa higieniza, fotografa, precifica, anuncia e entrega as peças. O vendedor recebe entre 50% e 60% do valor final líquido da venda, com taxas fixas operacionais descontadas a cada venda (R$ 8,00 de tarifa de curadoria e R$ 7,00 de subsídio de frete).
3. OLX
A OLX é excelente para realizar transações rápidas na sua própria cidade. Você pode publicar anúncios de graça e combinar o valor, a forma de pagamento e a entrega diretamente com o comprador. Caso queira alcançar pessoas de outras regiões, existe a opção de habilitar a compra protegida do OLX Pay e a entrega via Correios, que cobra uma comissão justa de 10% a 12% sobre a venda.
4. Shopee
Conhecida pelo varejo tradicional, a Shopee também aceita o cadastro de itens seminovos e conta com um enorme volume de compradores ativos diariamente. O modelo de taxas mudou recentemente: a comissão agora varia de 14% a 20% conforme a faixa de preço do produto, acrescida de uma taxa fixa que vai de R$ 4,00 a R$ 26,00 por item vendido. O Programa de Frete Grátis está embutido nesse pacote de taxas de forma obrigatória.
5. Mercado Livre
O maior marketplace da América Latina oferece um ecossistema logístico de ponta e muita segurança nas transações. Para vendas profissionais, a comissão cobrada varia de 10% a 14% no anúncio Clássico e de 15% a 19% no anúncio Premium. Além disso, em itens com preços abaixo de R$ 79,00, a antiga taxa fixa foi substituída por uma cobrança variável calculada com base no peso e no tamanho das roupas, o que exige atenção redobrada ao calcular suas margens de lucro.
6. Instagram
O canal favorito para a criação de bazares online. Em vez de depender apenas de fotos estáticas, as marcas que mais vendem no Instagram em 2026 apostam em vídeos curtos nos Reels e Stories mostrando as roupas no corpo real. Embora o recurso antigo da aba de compras tenha mudado de formato, usar o direct do Instagram como porta de entrada e direcionar os interessados para o seu próprio link de pagamento rápido é uma estratégia de alta conversão.
7. Facebook
O Facebook Marketplace e os tradicionais grupos locais focados em trocas e desapegos permanecem muito relevantes. É um canal direto e sem comissões. Você publica as fotos das roupas e os interessados entram em contato diretamente com você pelo Messenger para negociar.
8. WhatsApp
Ideal para realizar vendas rápidas para sua rede de contatos mais próximos ou clientes fidelizados. O uso de listas de transmissão e a criação de um catálogo detalhado com fotos e preços diretamente no WhatsApp Business reduzem o atrito no atendimento e aceleram a venda de novos lotes.
9. Brechós físicos
Se o seu objetivo é esvaziar o armário imediatamente e sem lidar com a internet, levar suas roupas a um brechó de bairro é uma alternativa viável. Algumas lojas compram lotes fechados e pagam na hora (por um valor mais baixo), enquanto outras trabalham sob consignação, cobrando de 40% a 60% de comissão sobre a venda final e repassando o restante apenas após a compra do cliente.
10. Loja virtual própria (com a Loja Integrada)
Se você quer transformar a venda de roupas usadas em um negócio recorrente e profissional, criar uma loja virtual própria é a escolha com maior rentabilidade e controle.
Na sua loja própria, você dita as regras: não há concorrência direta na mesma tela, você escolhe as formas de envio, define o visual do seu brechó e se livra do pagamento de comissões a cada venda concluída.
Com a plataforma da Loja Integrada, você consegue criar o seu site de graça de forma rápida e intuitiva, conectando seus produtos diretamente ao WhatsApp e às redes sociais para crescer profissionalmente.
Comparativo de taxas e comissões por plataforma
A comissão cobrada é o principal fator que determina o seu lucro líquido. Abaixo apresentamos o resumo detalhado das estruturas vigentes em 2026 para cada canal.
| Plataforma | Modelo de Cobrança | Indicado para |
|---|---|---|
| Loja Própria (Loja Integrada) | Sem comissão por venda. Custos apenas com plano (há opção gratuita) e taxas do intermediador de pagamento. | Empreendedores que buscam profissionalizar a marca, atuar com moda circular e obter a maior margem de lucro. |
| OLX | Anúncios de venda direta gratuitos. Caso use OLX Pay com envio à distância, comissão de 10% a 12%. | Vendas locais rápidas no bairro ou desapegos informais sem complicação de envio. |
| Redes Sociais | Totalmente gratuito (venda direta entre as partes). | Quem quer vender para a própria rede de contatos ou criar bazares focados em vídeos. |
| Mercado Livre | 10% a 14% (Clássico) ou 15% a 19% (Premium). Custo operacional variável sob itens abaixo de R$ 79,00. | Vendedores profissionais que necessitam de amplo alcance nacional e logística rápida. |
| Shopee | 14% a 20% + taxa fixa (R$ 4,00 a R$ 26,00). Frete grátis obrigatório incluído. | Vendedores focados em alto volume de saída, aproveitando as campanhas internas do site. |
| Enjoei | 12% a 18% + taxa fixa. Enjoei Pro cobra 50% pelo serviço completo. | Vendedores casuais que buscam facilidade e acesso direto ao público que ama brechós. |
| Repassa | Recebe 50% ou 60% líquidos (descontados R$ 25,90 da sacola + taxas por item). | Quem deseja desapegar de dezenas de itens de uma só vez e sem gastar tempo online. |
| Brechó Físico | Comissão retida pela loja física que varia geralmente de 40% a 60%. | Quem quer liberação imediata do espaço físico e retorno rápido sem lidar com fretes. |
Nota: As comissões de marketplaces mudam com frequência. Lembre-se de sempre simular os custos finais de cada plataforma antes de definir o preço de venda..
Qual o melhor lugar para vender roupas usadas?
O canal ideal depende das suas necessidades pessoais e do tempo disponível para gerenciar as vendas. Em resumo:
- Quero vender o lote de uma vez e não ter trabalho: Plataformas como a Repassa cuidam de toda a logística e fotografia, aceitando comissões mais altas pela facilidade.
- Quero dinheiro na mão sem me preocupar com envios por correio: A OLX e o Facebook Marketplace conectam você a compradores vizinhos para pagamento direto no Pix.
- Quero criar um brechó de sucesso e fazer disso meu trabalho: A criação de uma loja virtual na Loja Integrada é a alternativa que protege o seu lucro contra comissões elevadas, permitindo que seu negócio tenha mais escala.
Lembre-se da regra básica de negócios: quanto mais serviços de conveniência a plataforma oferece para fazer a venda por você, maior será a comissão e menor o lucro por peça.
Quanto cobrar: como precificar roupas usadas para vender em um brechó?
Uma regra de ouro adotada por brechós de sucesso é precificar as peças entre 30% e 50% do valor de etiqueta original cobrado em lojas de novos. A partir dessa referência, faça os seguintes ajustes:
1. Avalie o estado de conservação: Roupas novas com etiqueta ou usadas uma única vez sustentam valores próximos aos 50%. Sinais visíveis de uso ou pequenas marcas exigem preços mais competitivos para girar rápido.
2. Avalie a força da marca: Peças jeans clássicas (como Levi’s) ou marcas queridas mantêm ótimo valor de revenda. Marcas de fast fashion baratas podem ser vendidas apenas por preços mais baixos.
3. Analise a concorrência: Antes de publicar, busque o nome da peça na plataforma escolhida para ver o preço médio cobrado por outros vendedores em roupas similares.
4. Embuta as taxas e frete: Calcule quanto sobrará líquido na sua carteira após o desconto de todas as tarifas de venda do marketplace para não ter surpresas desagradáveis.
5. Aproveite combos promocionais: Em sua própria loja virtual ou nas redes sociais, crie atrativos como descontos progressivos (“leve 3 peças e ganhe 15% de desconto”) para aumentar o ticket médio por cliente.
Passo a passo de como vender roupas usadas
Para acelerar o giro das suas peças e construir uma boa reputação com os compradores, siga este processo simples dividido em cinco etapas:
1. Triagem e preparação das roupas
Faça uma curadoria honesta e separe apenas roupas limpas, sem furos, manchas ou odores. Lave, passe e realize pequenos consertos essenciais (costura de botões ou bainhas soltas). Roupas bem cuidadas vendem mais rápido e admitem preços melhores.
2. Fotos que despertam desejo
A fotografia é a sua maior aliada. Encontre um espaço com boa luz natural (perto de janelas) e use fundos limpos e neutros. Tire fotos de frente, de costas, das costuras e mostre claramente a etiqueta com o tamanho oficial. Fotografar as roupas no corpo ajuda o comprador a visualizar o caimento real.
3. Descrição transparente e detalhada
Escreva anúncios ricos e honestos. Informe o tamanho, as medidas detalhadas em centímetros (cintura, quadril, comprimento, busto), a composição do tecido e a marca. Se a peça tiver algum pequeno defeito de uso, seja transparente e mostre na foto. Isso evita devoluções e cancelamentos de pedidos.
4. Definição clara de frete e formas de pagamento
Ofereça meios modernos e sem atrito, como Pix e pagamento parcelado via cartão de crédito. Planeje a logística: no e-commerce próprio ou em marketplaces, utilize as opções de frete integradas e oficiais da plataforma para gerar etiquetas automáticas de envio de forma rápida.
Dica: na Loja Integrada, você conta com uma plataforma de gestão de fretes (Enviali) que procura o melhor preço e prazos para suas entregas sem burocracias.
5. Divulgação estratégica e atendimento ativo
Responda às dúvidas dos interessados rapidamente. Use o poder de alcance orgânico das redes sociais postando Reels curtos demonstrando a variedade do catálogo e crie categorias claras em seu site para otimizar a experiência de compra.
Quais roupas usadas vendem mais rápido?
Se você quer ver as primeiras vendas acontecerem rapidamente, vale a pena priorizar as categorias de maior demanda no mercado de seminovos:
- Roupas infantis: Bebês e crianças perdem roupas novas muito rápido. Lotes de marcas infantis são campeões de vendas devido à constante necessidade de reposição pelas mães e pais.
- Peças em jeans duráveis: Jaquetas, shorts e calças jeans são atemporais, resistentes e possuem altíssima procura nos brechós online.
- Casacos pesados de frio: Roupas de inverno de boa qualidade costumam custar caro nas lojas tradicionais, o que faz das jaquetas e sobretudos de brechó itens disputadíssimos.
- Artigos vintage colecionáveis: Corta-ventos esportivos dos anos 80/90, jeans de cintura alta originais e camisetas de banda antigas atraem um público fiel disposto a pagar valores altos por raridades.
- Acessórios de couro (bolsas e calçados): Bolsas estruturadas e calçados bem conservados agregam excelente valor e costumam sair rápido nos anúncios.
Precisa de CNPJ para vender roupa usada?
Se o seu objetivo é esporádico, apenas fazer um bazar caseiro para desapegar de itens pessoais, você opera inteiramente na modalidade de pessoa física (CPF), sem qualquer necessidade de possuir CNPJ ou emitir notas fiscais comerciais.
Entretanto, se você enxerga nesse mercado uma oportunidade profissional contínua de negócios, passando a garimpar lotes em bazares com regularidade para revender e obter lucros, sua operação passa a ser classificada como atividade comercial regular.
Nesse estágio de crescimento, formalizar o seu negócio traz vantagens decisivas:
- Credibilidade profissional: Permite emitir notas fiscais reais, garantindo transporte seguro com transportadoras parceiras sem riscos de apreensão de mercadorias em fiscalizações de trânsito.
- Controle tributário e tarifas reduzidas: Com um CNPJ, você consegue negociar tarifas de recebimento muito melhores em intermediadores de pagamento e contratar soluções logísticas integradas.
- Profissionalismo financeiro: Permite abrir uma conta bancária PJ e organizar de forma impecável o caixa da empresa separado das contas de casa.
O primeiro passo de formalização recomendado é a abertura de um MEI (Microentreendedor Individual). A atividade de brechó de roupas usadas se enquadra perfeitamente no CNAE 4785-7/99 (Comércio varejista de outros artigos usados), que é 100% elegível para o MEI no Anexo I do Simples Nacional, garantindo uma carga tributária mensal fixa e de valor muito acessível.